Menopausa e saúde mental: o climatério também mexe com as emoções

A menopausa costuma ser lembrada pelos sintomas físicos — ondas de calor, alterações no sono, mudanças no corpo. Mas o climatério, período de transição que pode se estender por anos antes e depois da última menstruação, também traz um impacto emocional importante, muitas vezes subestimado ou atribuído apenas ‘à idade’.

O que acontece com o humor nessa fase

A queda progressiva do estrogênio durante o climatério afeta diretamente neurotransmissores ligados ao humor e ao sono. Isso explica por que é tão comum, nessa fase, o surgimento ou a piora de sintomas como irritabilidade, ansiedade, tristeza, dificuldade de concentração (o chamado ‘nevoeiro mental’) e insônia.

Mulheres que já tiveram episódios de depressão ou ansiedade em outras fases da vida — como na disforia pré-menstrual ou no pós-parto — têm maior chance de apresentar sintomas emocionais mais intensos também na menopausa, o que reforça como esses momentos estão conectados ao longo da vida.

Mais do que hormônios: uma fase de transições

O climatério costuma coincidir com outras mudanças de vida: filhos que saem de casa, pais que envelhecem e passam a precisar de cuidado, questionamentos sobre carreira e identidade, e uma reflexão natural sobre essa nova etapa. Esse conjunto de fatores hormonais e emocionais pode se somar, tornando ainda mais importante um olhar cuidadoso e individualizado para cada mulher.

Não é ‘só uma fase para aguentar firme’. Sintomas emocionais persistentes, que atrapalham o sono, o trabalho ou os relacionamentos, merecem investigação e cuidado, assim como os sintomas físicos já recebem.

Cuidado psiquiátrico integrado à saúde da mulher

O acompanhamento psiquiátrico durante o climatério pode incluir psicoterapia, estratégias para melhorar o sono e a ansiedade, e, quando indicado, medicação — sempre em diálogo com o ginecologista, especialmente nos casos em que também se avalia a reposição hormonal. O objetivo é olhar para a mulher de forma integral, e não apenas tratar sintomas isolados.

Com o acompanhamento certo, é possível atravessar essa transição com mais equilíbrio emocional e qualidade de vida.

Se você está na perimenopausa ou na menopausa e sente que as emoções estão mais difíceis de administrar, você não precisa passar por isso sozinha.

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Este conteúdo tem caráter informativo e educativo, não substitui consulta médica presencial ou online e não deve ser usado para autodiagnóstico.

Dra. Luciana França — Psiquiatra | CRM 184909 | RQE 91448


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